para o ouvinte do interior: toca no rádio nesse momento cd de forró. a canção diz assim: "eu vou largar a casa e mudar pro cabaré, passar o ano inteiro rodeado de mulher"...salve ouvinte.
minha vó voltou. voltou, minha gente. a velha estava há TRÊS meses em rondônia. e uma saudade batia de doer nesse peito baiano. ela voltou, enrugadinha, baixinha, com aquele perfume maravilhoso e seu charme idoso que só o bom alzheimer é capaz de dar.
nosso diálogo: - tá com uma carinha triste, minha filha. - cansada vó. - de que? - um pouco do trabalho. - tá certo, tem que trabalhar mesmo. mas não pode só trabalhar. - eu sei vó, faço outras coisas também. - o que? - tomo uma cervejinha. - ahhhh, aí tá certo.
como diria uma conhecida minha - ouvinte do interior: tem como não amar?
então, aí fiquei feliz e tomei essa cerveja hoje né? não que eu beba... mas dei o prazer à adorável família e meudeusdocéu, como é bom beber com papai: meu cartão de crédito agradece.
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o que eu queria dizer é que esse blog só tem leitor abestalhado (boa palavra). cara, postei a melhor frase em anos, no post passado e ninguém comenta. bando de insensível. não entendem nada de amor. acham que sair por aí dizendo esses euteamos vazios que vocês dizem, vale de alguma coisa. pois eu digo: vale nada! eu adorei essa imagem aí embaixo e olha que encontrei por acaso. a única coisa é que eu mudaria para: você é a minha pessoa favorita no mundo e isso inclui as que nem nasceram. as imaginárias é bom também, mas "as que nem nasceram" dá uma ideia de infinito.
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então falou, um abraço pra você ouvinte (esse título do bodão foi bom pra cacete)...
agora mudou o forró. toca: "é proibido cochilar, é proibido cochilar". sério?????
- não entendi. - é que não é que eu te ame ou qualquer coisa assim. não é que eu ache que você vá namorar comigo ou gostar de mim. nada disso. é só que eu tenho pensado assim, meio que diariamente, em como seria te beijar e ocasionalmente como seria... - transar comigo? - também, principalmente depois de ontem. mas nada demais, só isso. - ontem? - é quando você ficou alisando minhas costas e minha barriga. - eu tava limpando seu casaco. - então, nem achei que você tivesse me alisado. assim do nada... - não que eu não alisaria. - eu sei. mas, era só isso mesmo. - só isso? - é, só.
Terça-feira, 7 de Julho de 2009
capilo me deu um livro do bukowski de aniversário. é uma história dele em forma de quadrinhos. pelo que eu conto do velho buk aqui, aqueles que nunca leram podem imaginar como são as ilustrações. quem conhece, se diverte como eu. logo na capa tem um velho nu ao lado de uma mulher, num ambiente imundo.
o livro ficou em cima da mesa do quarto. mãe entrou no quarto há 5 minutos:
- minha filha, hoje na faxina vi esse livro aqui em cima da sua mesa... - o bukowski? - isso é pornografia, minha filha. - ai mãe é um autor que eu adoro, deixa aí. - eu cheguei a achar que era uma dessas revistas de sexo. - não é. - mas isso aqui não pode... - mãe é só literatura, eu leio por conta dos textos, não pelo sexo. - eu sou do tempo antigo mesmo. nunca vi dizer que isso é literatura. - é porque você nunca leu mãe. - nem vou ler. me admira você, uma intelectual lendo essas coisas.
fiquei pensando se eu explicava o que é um intelectual ou quem era bukowski. decidi não explicar nada e vir pro ombudsman.
Domingo, 5 de Julho de 2009
NÃO SAI NADA DA MINHA CABEÇA. NEM CERA DE OUVIDO. VAZIO CRIATIVO.
não dá pra incorporar aqui por conta do formato e não vou corrigir isso agora. é uma das poucas da lista que com certeza entraria numa lista de favoritas.
10. buena vista social club - camino por la vereda
11. travis - the weight
é the band na verdade, mas essa versão do travis é bem melhor.
12. raul seixas - eu sou egoísta
eu provo sempre o vinagre e o vinho, eu quero é ter tentação no caminho.
13. saltimbancos - história de uma gata
nós pobres nascemos pra ser livres.
14. maná - clavado en un bar
ê dor de cotovelo gostosa.
15. cazuza - maior abandonado
raspas, restos, migalhas e mentiras sinceras.
16. franz ferdinad - do you want to
17. clementina de jesus - marinheiro só
eu não sou daqui. eu não tenho amor. eu sou da bahia, de são salvador. e tenho dito.
18. paulinho da viola - coisas do mundo minha nega
19. chico buarque - folhetim
sou dessas mulheres que só dizem sim, por uma noitada boa ou um botequim.
eu vim de lá. de onde a gente não tem pra comer, mas de fome não morre. porque na Bahia tem mãe iemanjá.
24. renato fechine - reggae da desossa / bebe negão
delicie-se.
will you still need me, will you still feed me, when I'm twenty-four?
Sábado, 27 de Junho de 2009
+ou- 6:00 AM, 06/27/09
o céu do brooklyn agora que chego do harlem depois de uma madrugada de jazz e descobertas é de um azul assim
tão azul...
um azul tão azul que tão azul assim eu nunca vi nenhum azul ou céu de outrora
(muito embora talvez em são tomé das letras)
um azul de picasso de um azul que de escasso só tem a rima
e mesmo a rima é de falsa riqueza na medida mesma em que toda riqueza é falsa
um esquilo atravessa um fio por sobre o verde e as grades do quintal no fundo da casa
e de outra parte do mundo traz a lembrança dos gambás do sujinho dos sariguês da praia vemelha
ainda bem que a cerveja que agora bebo (e posso) é pilsen de um amarelo ouro que junto ao verde das árvores do quintal do fundo da casa onde sopro a fumaça azulada do meu cigarro
e junto da estrela d`alva brilhando altissonante sendo Vênus como em qualquer outro canto remoto desse planeta me sugere e grita meu país e sua bandeira
ai que saudade da ordem e do progresso que nunca se realizam e apenas divisam nossa alegria e inveja pós colonial...
afinal sem carnaval quanto vale toda essa funcionalidade e perfeição mecânica que come gente e garante que o trem saia pontualmente às quatorze e dezessete ou às dezesseis e quarenta e três...
eu
sou mais carnaval e faço mais gosto do rosto alegre do meu povo do que esse azul metálico tão forte que quando se vai mais parece anúncio de morte
ou de um picaso escasso fosco e sem calor
rico
mas de um rosto (pra mim) sem gosto nem cor
e no mais agora
eu
poetizei poetizando porque pra mim poetizar é sempre poetizando enquanto invento agoras...